segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Lição de Gratidão

Umas das maiores lições de gratidão e de reconhecimento que já ouvi falar aconteceu em uma pequena fazenda do Rio Grande do Sul, próxima à uma cidadezinha, que até hoje guarda o clima calmo e inocente, característico do interior.

O pai acordou bem cedo, como de costume no campo, tratou todos os animais da fazenda e levou o leite, recém tirado de sua vaquinha de estimação, para tomar com o café fresquinho que a mãe já havia preparado para eles e para seus dois filhinhos, que estavam ansiosos à mesa esperando pelo pai, porque naquele dia iriam juntos para a roça, pois o filho mais velho estava de ferias e era o primeiro dia da colheita de melancia.

Enquanto a mãe ficou em casa cuidando dos afazeres domésticos, que são muitos por sinal, o pai foi para a roça com seus dois filhinhos, Pedrinho de 9 anos e Marquinho com apenas 5 aninhos. O tempo que levaram até o destino, para os dois meninos era só de festa. Ficar meia hora em cima de uma carroça com rodas de madeira, puxada por dois belos cavalos, para eles eram momentos sublimes de alegria, pois estavam contemplando a natureza e, o mais importante, estavam ao lado do seu herói.

Enfim chegaram ao destino e o pai, cheio de orgulho, mostrou aos seus dois filhinhos aquela bela e vistosa roça de melancias. O pai, sem saber que alí teria a maior lição de sua vida, parou no local onde começaria a apanhar as frutas para encher a carroça e, pediu para que seus dois filhos descessem e ficassem por ali perto, até o fim do seu trabalho. Os dois desceram muito contrariados, sem entender o pôrque de não poder ficar na carroça, onde tinham uma melhor visão da roça. Pedrinho, bastante chateado, sentou-se um pouco afastado do pai em cima de uma melancia e lá ficou.
Marquinho, no entanto, já havia desculpado o pai e estava alí ao seu lado, tagarelando como nunca, pois era um dia diferente de todos os outros. Era o seu primeiro dia de colheita e teria muito o que contar para os seus amiguinhos.
Enquanto os dois meninos se deliciavam com uma gostosa melancia, o pai já estava com a carroça quase cheia e se preparava para retornar para casa, pois pretendia chegar próximo à hora do almoço.

Por algum motivo, talvez uma ferroada de abelha ou um outro inseto qualquer, os dois cavalos se assustaram e saíram em disparada, puxando aquela velha carroça como nunca tinham feito antes. Praticamente todas as melancias ficaram despedaçadas no chão.

Enquanto Pedrinho boquiaberto olhava aquela terrível sena, o pai lamentava-se pela perda vendo seu trabalho destruído em questão de segundos. O pior ainda estava por vir, pois os animais corriam cada vez mais até desaparecerem em um córrego, lá longe da vista dos três.

O pai muito triste sabendo que teria perdido sua carroça e talvez os dois melhores cavalos da fazenda, sentado no chão e sem forças para dizer uma única palavra, sentia um nó em sua garganta e seus olhos já estavam rasos d’água. Mal sabia aquele homem que naquele momento teria a maior lição de gratidão e reconhecimento da sua vida.

Marquinho pegou na mão do irmão e o levou para junto do pai. Os três alí juntos, em silêncio olhando para o horizonte, até que o menininho de apenas 5 aninhos, abraçando seu pai, quebrando o silêncio com sua voz inocente e calma, diz: papai, obrigado por tirar eu e o Pedrinho de dentro da carroça. O homem forte do campo desmanchou-se em lágrimas, alí mesmo na frente dos seus dois filhinhos, vendo que aquele pequenino estava agradecendo-lhe por ter salvo sua vida e a de seu irmãozinho querido. Suas lágrimas também eram de agradecimento, pois ele agradecia a Deus por ter dado-lhe a oportunidade de continuar vivendo na presença daquelas duas preciosidades.

Os três uniram –se com um forte abraço, então Marquinho completa, agora em tom alegre e estridente: Olhe lá! Olhe, papai! Não precisa chorar! Os nossos cavalos estão bem!

Alex Dahlke
21/10/2008

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