segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Autodefinição

Um paradoxo informal
Uma antítese ambulante

Vive responsavelmente
Experimentando a irresponsabilidade

Personalidade madura
Com picos de imaturidade

Artista plástico
Que não frequenta museus, galerias.

Praticante de esportes
Estudante aplicado
Bebedor ponderado
Escritor dedicado
Leitor assíduo

Vários amigos
Poucos confidentes
Talvez nenhum

Aparência arrogante
Quem o conhece
Confirma o contrário

Tenta definir o Amor
Acredita no Amor
Incerteza em conhecê-lo

Coração gélido
Emoções ocultas
Sensibilidade à flor da pele

Paciência de Jó
Calma é uma qualidade
Muitas vezes se esvai
Surge um impaciente irritado

Valoriza a família
Foi para longe da sua
Sente saudade
Mas não volta

Nascido no campo
Em meio à natureza
Da pequena cidade
À megalópole agitada

Profissional dedicado
Sem gostar do seu trabalho
Em busca dos sonhos
Não para

Experimenta a razão
Sendo um eterno sonhador

Tendo vontade, vá lá e faça
Tem de fazer valer a pena
É época de colheita
Lemas para a própria vida

Paradoxo informal
Pois não segue uma linha paradoxal

Antítese ambulante
Contradições que não impedem a evolução

Tradicionalmente
Irreverente

Fala pouco, em tom baixo
Quando fala
Tem atenção

Não frequenta cultos, igrejas
Uma fé inquestionável
Deus é o único guia

Conversa com o mendigo
No mesmo tom
Que fala com o ricaço

Gosta do luxo
Não reclama da simplicidade

Televisão não lhe faz falta
No rádio, a música sempre tocando

Atitudes discretas
Busca sempre o reconhecimento
Não quer aparecer
Mas busca o público

Prato preferido
Não tem
Comer
Só para viver

Autodefinição contraditória
Em terceira pessoa

Porque às vezes o Eu
Parece deixar de ser Eu
E passa a ser Ele

Um paradoxo informal
Uma antítese ambulante




Alex Dahlke
Jan/2010

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